quarta-feira, 10 de abril de 2013

Linda flor




Apesar de cada vez mais reconhecer o mundo como um jardim repleto de espinhos, tenho encontrado refrigério ao ver florescer sorrisos de vitória.

Minha fortuna tem sido o prazer em cultivá-los e cativá-los, e assim o farei com zelo, percebendo este bem-querer desabrochar.





quinta-feira, 21 de março de 2013

Frondosa







Um amigo ensinou-me sobre a vitalidade do amor. Em um belo entardecer, disse: 

- Eu gosto da Camila há tanto, tanto tempo, que às vezes parece que ela é uma árvore que plantei no meu quintal.












terça-feira, 12 de março de 2013

Natalício


Quando adolescentes, nossa vida é novidade. A cada ano, no dia em que comemorávamos a data de nossa chegada neste mundo, essa novidade celebrada era o evento solenizado por todos os nossos jovens amigos que também esperavam pelas suas datas e pelos aniversários cada vez mais repletos na folhinha da vida a cada ano e amigo acumulado.

Com o passar do tempo a vida vai deixando de ser novidade e passa a ser contabilizada como dias acumulados, contas acumuladas, tarefas acumuladas... E fatidicamente em um ano de atropelos, acabamos esquecendo um aniversário antes muito esperado.

Neste seu aniversário fui eu quem envelheceu.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Da dependência deslumbrada



Trago uma amiga cujo recente namoro converteu seu telefone celular em um dispositivo dedicado à redação instantânea de trechos que formam uma grande ata sobre tudo o que faz ao longo do seu dia, sempre mantendo a outra parte atualizada de todos os seus passos.
A princípio me irritou a sujeição descabida. Porém havia esquecido que ela está apaixonada, e que a independência emudece diante desse entusiasmo. A paixão só sobrevive no cativeiro, onde descobrirá se o excesso trará o abuso ou o vício.


sábado, 26 de janeiro de 2013

Das expectativas







Conheço um rapaz cujo coração está bloqueado em virtude de um romance falido e doloroso.
Por tanto temer, ensimesmou-se.
Ele não sabe que para abiscoitar a felicidade é preciso sofrer quantas vezes forem necessárias.



quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Acende, ascende

Nos habituamos com emoções incendiárias que detonam ao estopim do acaso, e é difícil entender os passos miúdos do envolvimento gradual.

Não é fácil para a pipoca de microondas entender como um milho de tacho pôde chegar ao seu mesmo patamar sem ser inflamado por ondas de dentro pra fora e ter as entranhas arrebentadas de euforia instantânea. Pobre ser extasiado.

Então, por sorte, em um dia desprevenido descobrimos o encanto tímido que não nos assalta a consciência e arde em chamas, porém gradativamente aquece de fora para dentro e se torna apto à explosão, o que também é um arrebatamento.

sábado, 6 de outubro de 2012

Petrichor


Uma amiga ensinou-me sobre como lidar com as aguaceiras da vida. Diante de uma garoa repentina comentei:

- Está chovendo. Não sei como agir. 

 Ao que ela respondeu:

- Vai dar tudo certo. O céu já vai aparecer, mas, por enquanto, se molhe.


*Baseado em uma conversa com Carolina Flor.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Da estima





Um amigo ensinou-me sobre como compreender os papéis de cada um em determinadas situações na vida. Ao me contar sobre como alguém muito especial o havia negligenciado, ultimou:

- Aprendi que mesmo as pessoas legais são idiotas, e isso não significa que você não tem valor, mas sim que existem idiotas.

Da abnegação


- Como terminar com algo que tu não queres que acabe?
- O caso é que você precisa terminar primeiro com você, para depois terminar com o outro. É a questão da auto anulação. É foda!
- Mas como?
- Deixe a sua vontade em último lugar. Pense em todas as outras coisas e pessoas que se beneficiariam com a sua decisão de rompimento e coloque a felicidade delas antes da sua.
- Isso vai realmente acontecer?
- Vai. Mas vai demorar. Primeiro você vai se conformar, depois vai lembrar com saudade, depois vai lembrar com carinho e depois vai só lembrar.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Da Fugacidade



...e que em qualquer lugar que estivessem se lembrassem sempre de que o passado era mentira, que a memória não tinha caminhos de regresso, que toda primavera antiga era irrecuperável e que o amor mais desatinado e tenaz não passava de uma verdade efêmera.

(Cem anos de solidão,Gabriel García Márquez)







quinta-feira, 22 de março de 2012

Desgaste

E quanto mais experimentamos da vida, gradativamente algo muito bonito vai morrendo dentro de nós.

A vida disfarçada de gente segue matando, calejando, cicatrizando, até que nossa couraça de ceticismo se torna tão rígida que deixamos o instinto de autoproteção impedir o fascinante ato de compartilhar a alma.

Nenhum dia é mais triste do que aquele o qual percebemos que não nos entristecemos mais, que estamos perdendo a capacidade de nos emocionar como outrora. O fatídico dia em que notamos a comoção efêmera instalada.

Pior do que sofrer é ser cauterizado pela vida. Prezo pela ventura de degustar a intensidade das sensações e preservar a beleza de me arrebentar em existência.


terça-feira, 20 de março de 2012

Da sintonia

Não apaixono à primeira vista, mas sim à primeira energia.


Arrebato-me por auras, por semblantes, por movimentos e gestos carregados de sutileza e despretenções.

Meu coração sorri no momento exato do contato entre halos, entre almas, entre vidas, entre substâncias matafísicas que vibram ao derredor e estabelecem contatos profundos mesmo que subordinados à distância corporal.

Na verdade não me apaixono. Me conecto.






sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Da sinceridade







Um dia qualquer em uma dimensão paralela na qual as pessoas são francas consigo e com os outros:

-Olá! Tenho andado tão triste e minha vida está repleta de tédio. Posso brincar com os seus sentimentos?

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Da nostalgia retocada


Dia desses observei um rapaz contando para mim histórias encenadas às gargalhadas. Admirei por alguns instantes a sua leveza, a sua graça, e considerei que seria um pecado não absorver cada detalhe daquela narrativa sobre um dia há muito tempo atrás passado no colégio, do qual eu também participei. Decidi que preferiria guardar as lembranças daquela história contada pelas palavras dele, e não mais da experiência real que vivi, tal era a beleza da interpretação. 

Terminada a história ele sentou no gramado do parque, eu me levantei e contei uma história para ele. Uma histórias às gargalhadas sobre um dia há muito tempo atrás, quando a vida era leve assim como aquele momento.